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segunda-feira, 24 de novembro de 2008
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
O Monstrengo, de Fernando Pessoa

Em "O Monstrengo", um viajante português navega pelo Oceano Atlântico e se depara com um monstro marinho aterrorizador, que questiona os motivos de tal incursão no Oceano, lar impenetrável do Ser Marinho. Apesar de trêmulo, o viajante responde que está viajando sob as ordens do Rei de Portugal, D. João II.
O monstro indaga ao viajante novamente, e este responde que ele representa mais do que a si próprio naquela viagem, representa também o povo português, o qual estava ansioso por desbravar e conquistar as rotas marítimas do Atlântico na segunda metade do século XV e XVI. É neste momento que o viajante reúne forças para enfrentar o Monstrengo e cumprir sua missão, dando continuidade a sua viagem.
O monstrengo, por sua vez, representa o imaginário europeu, que por desconhecer a vastidão do oceano, o povoava com seres fantásticos e assustadores, tais como dragões, peixes gigantescos etc.
O medo do desconhecido, provavelmente, inibiu várias iniciativas de navegadores que buscavam o Atlântico, assim como as limitações tecnológicas da época, que não contribuíam na luta dos marujos contra as forças da natureza.
Apesar disso, o marujo do poema venceu o medo, enfrentou o monstrengo e seguiu sua viagem, rumo ao "desconhecido", em nome do povo português e de El Rei D. João II!
Abaixo reproduzimos o belo Poema e disponibilizamos um vídeo muito interessante contendo a dramatização do texto. Não deixem de assisti-lo, pois o vídeo está muito legal!
mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
A roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tetos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»