
Em recente pesquisa, algumas celebridades negras brasileiras, como
Neguinho da Beija-Flor,
Djavan, Milton Nascimento,
Daiane dos Santos, o jogador
Obina e outros, foram submetidos a um teste de
ancestralidade genômica, que consiste na
coleta de células bucais, das quais são separadas o
DNA (ácido
desoxirribonucléico).
Em seguida, os cientistas compararam uma parte do
DNA coletado, com os
registros de
seqüencias genéticas disponíveis em banco de dados internacionais.
Através desta pesquisa, pode-se verificar o percentual de genes europeus, africanos e ameríndios presentes na composição genética de cada indivíduo, e identificar a origem geográfica do ancestral, uma vez que os
cromossomos hereditários analisados, permanecem inalterados,
exceto em casos de mutação.
O responsável por esta pesquisa, Dr. Sérgio Pena, professor da Universidade Federal de Minas Gerais e
diretor do Laboratório Gene, admite que há uma margem de erro no mapeamento genético de 2,5%. Os resultados também podem sofrer alterações, de acordo com a metodologia de trabalho
adotada por diferentes pesquisadores e laboratórios.
Confira o Mapeamento de Ancestralidade Genômica de alguns dos pesquisados:Milton Nascimento:99,3% africano
0,4% europeu
0,3% ameríndio
Obina:Africana 61,4%
Ameríndia 25,4%
Européia 13,2%
Neguinho da Beija-Flor:67,1 % europeu
31,5 % africano
1,4 % ameríndio
Djavan:65 % africano
30,1 % europeu
4,9 % ameríndio
_____________________________________________________________________
Para mais informações
acesse o site da BBC Brasil e confira o Especial - Raízes Afro-Brasileiras
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/cluster/2007/05/070427_raizesafrobrasileiras.shtml_____________________________________________________________________
A Ciência contribuiu para a desconstrução do conceito "Raça", que já foi apropriado por Regimes Políticos, sendo utilizado para legitimar teorias racistas que sustentavam a
idéia de superioridade racial de um povo em relação ao outro. Por este motivo, o termo está caindo em desuso, e hoje quando falamos de grupos humanos distintos utilizamos o conceito
Etnia, ou o termo "grupos continentais" empregado pelos geneticistas contemporâneos.
A pesquisa de amostragem genética
efetuada pelo Dr. Sérgio Pena, mostra a ascendência
européia nos indivíduos negros que participaram do Teste de
Ancestralidade Genômica.
Os resultados do Teste do
Neguinho da Beija-Flor, surpreenderam o sambista, que havia afirmado, antes de realizar o teste, o seguinte:
"Não tenho olho azul, não tenho cabelo escorrido, não tenho nada de branco aqui. Da Europa, nada".A herança genética européia do Neguinho da Beija-Flor mostrou-se maior que sua herança africana. Apesar de ter a pele negra, Neguinho possui ancestrais brancos europeus.
De acordo com o Dr. Sérgio Pena: "Os genes que determinam a cor da pele são uma parte ínfima do conjunto de genes de uma pessoa".
Portanto, o resultado aparentemente contraditório do Teste de Ancestralidade Genômica do Sambista Carioca demonstra que a cor da pele não pode ser tomada como via de regra para a definição da ancestralidade. Definir nossas origens é algo mais complexo do que apontar a cor da pele, dado o elevado grau de miscigenação do Povo Brasileiro. Europeus, negros, índios e asiáticos formaram nosso povo, que agrega características dos múltiplos grupos que constituíram esta Nação.
O geneticista responsável pela pesquisa compara a cor da pele com a pintura de um carro. Dois carros do mesmo modelo, podem possuir cores diferentes, mas por dentro os automóveis são iguais. Assim sendo, a cor da pele não pode ser tomada como indicativo de superioridade ou inferioridade racial.
Essa pesquisa científica é útil no sentindo de ajudar a enterrar o racismo, de uma vez por todas. Os seres humanos são todos iguais, apesar das diferenças de cor, cabelo e estética. Todos os
indíviduos deste Planeta, compõe uma única raça - a Humana. Por dentro, somos todos iguais, todos temos cérebro, coração, aparelho digestivo etc.
As diferenças entre os grupos humanos, e nos referimos não só as distinções de tonalidades cutâneas, mas também culturais, não podem motivar conflitos, tais como os que aconteceram no passado (Escravidão, Holocausto, Apartheid etc), ao contrário, devem motivar a compreensão e o respeito ao direito do indivíduo ou do grupo de ser Diferente.
Rodolfo Alves Pereira