Às vezes, me pergunto o que leva um cidadão a adquirir um cão Pit bull, que é reconhecidamente um animal feroz, detentor de grande agilidade, força e agressividade.
As origens desse cão nos remontam à Inglaterra no século XIX, onde era comum os combates entre cães ferozes, os quais duelavam até a morte, levando o público britânico ao frenesi.
Para tornar as lutas entre caninos mais atrativas, isto é, elevar o nível de violência dos embates, os organizadores das rinhas decidiram cruzar cães

ferozes de diferentes subraças. O experimento foi realizado, provavelmente, com os
Bulldogs e os
Game terriers. Desse cruzamento surge uma nova subraça, a dos
Pit bulls, que agregava as diversas características dos seus ancestrais, dentre elas a ferocidade, a força e a velocidade. Assim, o novo cão poderia ter melhor desempenho nas rinhas, inclusive ao enfrentar outros animais, como ursos, touros e até leões.
Não demorou muito para esse animal ser trazido para a América, por volta da segunda metade do século XIX.
Atualmente, é cada vez mais comum encontrarmos notícias nos jornais, na internet ou na televisão, relatando ataques de Pit bulls a pessoas e, em muitos desses casos, as vítimas têm parte de seus corpos mutilados, quando não são mortas, dada a violência do agressor, ou seja, o cão.
Fico assustado com o aumento significativo dos ataques e preocupado com o aumento do número de cães Pit bull no convívio social. A nossa sociedade já vive se arrastando com inúmeros problemas. Sofremos com desemprego, miséria, desigualdade, violência de todos as espécies, corrupção política etc, mas assim mesmo admitimos no seio social um animal feroz, que nada acrescenta para o bom funcionamento da sociedade, pelo contrário, representa real perigo para a vida de qualquer cidadão.
Esse animal, que carrega a violência em cada célula de seu organismo, pode até ser criado em um ambiente onde receba carinho e afeto, mas, apesar disso, continuará sendo um animal com limitações cognitivas que o tornam incapaz de pensar, raciocinar e refletir.

Os defensores dos Pit bulls argumentam que o cão criado com carinho se torna manso e sereno. Contudo, eu não acredito que a criação recebida seja capaz de anular os instintos do animal, que poderá atacar quando se sentir ameaçado ou se deparar com alguém que lhe é estranho, caso de um carteiro ou qualquer outra pessoa que não conviva com ele.
O governo de Minas Gerais já atentou para a onda de ataques dos cães e para outro problema que está se tornando comum - o abandono de alguns cães, da raça Pit bull, pelos seus proprietários. Por conta disso, foi elaborada a Lei 16.301 de 2006, com a finalidade de regulamentar a criação dos cães de grande porte e força. Os proprietários desses cães terão que registrá-los junto ao Corpo de Bombeiros e apresentar a seguinte documentação:
[1]I - comprovante de vacinação do animal;
II - qualificação do vendedor e do proprietário do animal;
III - declaração da finalidade da criação do animal.
A referida lei ainda dispõe sobre outras obrigações, tais como utilizar equipamentos de
contenção para o animal, quando este for conduzido em vias públicas, evitar o acesso do cão às caixas de correio, hidrômero etc.
A Lei também prevê punições e pagamentos de multas para os donos dos cães que atacarem as pessoas. Da mesma forma, os Pit bulls que não forem registrados poderão ser apreendidos, gerando a cobrança de multa para o seu proprietário.
O artigo mais interessante é o 4º, que diz o seguinte:
"É proibida a adoção, a procriação e a entrada de cães da raça pit bull no Estado."
O cumprimento do artigo será fundamental para a aniquilação do Pit bull em nosso Estado. Tenho certeza de que logo essa Lei servirá como um paradigma para as outras Unidades Federativas do País. Não precisamos de mais ferocidade na sociedade. O Pit bull nada acrescenta para a Humanidade e, se for extinto, não provocará deseqüilíbrio algum para o meio-ambiente e ou cadeia alimentar, já que tal animal foi produzido a partir de experimentos humanos, na tentativa de criar um ser extremamente forte e violento, que propiciasse mais sangue e diversão para a platéia britânica do século XIX.
Curioso, hoje esse "experimento" constitui um grande risco para a integridade física de qualquer cidadão, assim como o
Frankenstein, personagem literário criado pela escritora
britânica Mary Shelley, no início do
século XIX. Frankenstein surgiu
a partir de um experimento científico, o qual conseguiu dar vida a um cadáver. Posteriormente, o ser ressuscitado se desentende

com o seu criador, passa a persegui-lo e assassina sua mulher amada.
Ao que parece, os britânicos gostavam mesmo de realizar experimentos no século XIX e, tempos depois, se arrependiam de tê-los feito, pois o cientista criador do Frankenstein perdeu sua amada e acabou morrendo na tentativa de destruir seu experimento falho. Os Pit bulls atualmente também sofrem sanções na Grã-Bretanha, onde sua criação também está sendo restringida.
Por que a criação desse animal está sendo restringida??
Mais um experimento britânico que falhou...
NOTA
[1] Incisos extraídos do artigo 2º da Lei 16.301 de 2006.
Rodolfo Alves Pereira