terça-feira, 17 de julho de 2007

PIT BULL - Um risco para a sociedade

Às vezes, me pergunto o que leva um cidadão a adquirir um cão Pit bull, que é reconhecidamente um animal feroz, detentor de grande agilidade, força e agressividade.
As origens desse cão nos remontam à Inglaterra no século XIX, onde era comum os combates entre cães ferozes, os quais duelavam até a morte, levando o público britânico ao frenesi.
Para tornar as lutas entre caninos mais atrativas, isto é, elevar o nível de violência dos embates, os organizadores das rinhas decidiram cruzar cães ferozes de diferentes subraças. O experimento foi realizado, provavelmente, com os Bulldogs e os Game terriers. Desse cruzamento surge uma nova subraça, a dos Pit bulls, que agregava as diversas características dos seus ancestrais, dentre elas a ferocidade, a força e a velocidade. Assim, o novo cão poderia ter melhor desempenho nas rinhas, inclusive ao enfrentar outros animais, como ursos, touros e até leões.


Não demorou muito para esse animal ser trazido para a América, por volta da segunda metade do século XIX.
Atualmente, é cada vez mais comum encontrarmos notícias nos jornais, na internet ou na televisão, relatando ataques de Pit bulls a pessoas e, em muitos desses casos, as vítimas têm parte de seus corpos mutilados, quando não são mortas, dada a violência do agressor, ou seja, o cão.

Fico assustado com o aumento significativo dos ataques e preocupado com o aumento do número de cães Pit bull no convívio social. A nossa sociedade já vive se arrastando com inúmeros problemas. Sofremos com desemprego, miséria, desigualdade, violência de todos as espécies, corrupção política etc, mas assim mesmo admitimos no seio social um animal feroz, que nada acrescenta para o bom funcionamento da sociedade, pelo contrário, representa real perigo para a vida de qualquer cidadão.

Esse animal, que carrega a violência em cada célula de seu organismo, pode até ser criado em um ambiente onde receba carinho e afeto, mas, apesar disso, continuará sendo um animal com limitações cognitivas que o tornam incapaz de pensar, raciocinar e refletir.

Os defensores dos Pit bulls argumentam que o cão criado com carinho se torna manso e sereno. Contudo, eu não acredito que a criação recebida seja capaz de anular os instintos do animal, que poderá atacar quando se sentir ameaçado ou se deparar com alguém que lhe é estranho, caso de um carteiro ou qualquer outra pessoa que não conviva com ele.

O governo de Minas Gerais já atentou para a onda de ataques dos cães e para outro problema que está se tornando comum - o abandono de alguns cães, da raça Pit bull, pelos seus proprietários. Por conta disso, foi elaborada a Lei 16.301 de 2006, com a finalidade de regulamentar a criação dos cães de grande porte e força. Os proprietários desses cães terão que registrá-los junto ao Corpo de Bombeiros e apresentar a seguinte documentação: [1]
I - comprovante de vacinação do animal;
II - qualificação do vendedor e do proprietário do animal;
III - declaração da finalidade da criação do animal.

A referida lei ainda dispõe sobre outras obrigações, tais como utilizar equipamentos de
contenção para o animal, quando este for conduzido em vias públicas, evitar o acesso do cão às caixas de correio, hidrômero etc.
A Lei também prevê punições e pagamentos de multas para os donos dos cães que atacarem as pessoas. Da mesma forma, os Pit bulls que não forem registrados poderão ser apreendidos, gerando a cobrança de multa para o seu proprietário.

O artigo mais interessante é o 4º, que diz o seguinte:
"É proibida a adoção, a procriação e a entrada de cães da raça pit bull no Estado."
O cumprimento do artigo será fundamental para a aniquilação do Pit bull em nosso Estado. Tenho certeza de que logo essa Lei servirá como um paradigma para as outras Unidades Federativas do País. Não precisamos de mais ferocidade na sociedade. O Pit bull nada acrescenta para a Humanidade e, se for extinto, não provocará deseqüilíbrio algum para o meio-ambiente e ou cadeia alimentar, já que tal animal foi produzido a partir de experimentos humanos, na tentativa de criar um ser extremamente forte e violento, que propiciasse mais sangue e diversão para a platéia britânica do século XIX.

Curioso, hoje esse "experimento" constitui um grande risco para a integridade física de qualquer cidadão, assim como o Frankenstein, personagem literário criado pela escritora britânica Mary Shelley, no início do século XIX. Frankenstein surgiu a partir de um experimento científico, o qual conseguiu dar vida a um cadáver. Posteriormente, o ser ressuscitado se desentende com o seu criador, passa a persegui-lo e assassina sua mulher amada.
Ao que parece, os britânicos gostavam mesmo de realizar experimentos no século XIX e, tempos depois, se arrependiam de tê-los feito, pois o cientista criador do Frankenstein perdeu sua amada e acabou morrendo na tentativa de destruir seu experimento falho. Os Pit bulls atualmente também sofrem sanções na Grã-Bretanha, onde sua criação também está sendo restringida.

Por que a criação desse animal está sendo restringida??

Mais um experimento britânico que falhou...


NOTA

[1] Incisos extraídos do artigo 2º da Lei 16.301 de 2006.




Rodolfo Alves Pereira

9 comentários:

carlos disse...

caro amigo infelismente o animal na verdade é o ser humano pois educam o pobre cachorro como se ele s fossem o própio dono covarde se esconde atras do animal vc precisa ver como fazem maldades pra esse cachorro aprender ser mal abraços

Folha Estudantil disse...

Prezado Carlos,

Realmente há indivíduos que criam o animal com falta de carinho e o transformam em um ser agressivo.
Contudo, alguns animais, no caso o Pit Bull, criados em ambientes agradáveis, onde ele receba carinho e atenção, podem ser agressivos. Observando as notícias de ataques de cães, observamos que o cão agressor é um animal doméstico, criado por pessoas idosas e responsáveis. A criação do animal, ou seja, o meio onde ele vive, a meu ver não é decisivo para a índole do cão, que continuará sendo agressiva para atender ao propósito da raça.

tiomacaljp disse...

Discordo plenamente. Posso ser voz única e até um caso isolado, mas provo que meu cão, da raça pit bull, é um animal extremamente inofensivo. Seu nome é Hanna. Desde que a trouxe para minha casa, tratei-a como se fosse uma filha. Aqui já havia duas cadelas da raça poodle e todos ficaram com medo de que a Hanna, quando crescesse, as atacaria. Confesso que também tive esse medo. Conforme ela foi crescendo, fui notando que suas brincadeiras foram se tornando mais agressivas. Contudo, nunca deixei de ensiná-la a obedecer.
Hoje em dia ela é até mais dócil do que Bia, uma das poodle aqui de casa.
O cachorro, não importa a raça, caro autor, sempre será agressivo se mal cuidado. Hanna nunca ficou presa; nem corrente ela tem. O canil aqui de casa só serve para guardar tralha, porque ela dorme junto com as poodle, dentro de casa. É muito bem alimentada e recebe muito carinho de todos daqui.
Agora veja os que atacam: vivem presos, passam fome, são estressados e nunca recebem a atenção que merecem.
Pegue um menino. Sim, um ser humano. E trate-o como se fosse um desses cães mal cuidados. Um dia ele vai se revoltar e atacar todos os que o cercam.
A sociedade vê com maus olhos essa raça devido à maioria de seus criadores, que os utilizam apenas para satisfazer os instintos cruéis, inerentes tão somente ao ser humano.
Se quiser conhecê-la:
http://www.orkut.com/Album.aspx?uid=15256345421674019978&aid=1201290874

Abraços!

Folha Estudantil disse...

Não se pode generalizar com a afirmação de que só os cães "vivem presos, passam fome, são estressados e nunca recebem a atenção que merecem" que atacam as pessoas. Há muitos casos que vão de encontro àquela afirmação.
O fato do animal ser bem tratado, viver solto e etc não altera sua capacidade cognitiva, afetiva e sua condição de ser irracional, incapaz de compreender situações complexas. Animais, mesmos os bem-tratados atacam sim. E no caso de cães da raça pit bull, não só atacam, mas também desfiguram rostos, dilaceram membros e matam pessoas!
Ótima medida legal adotada pelo Governo de Minas para a contenção da prole dessa maldita raça! Muitos outros países já adotaram restrições a criação dos pit bulls, inclusive a Grã-Bretanha, terra natal da raça.
O último comentário registrou que a maldade não é intrínseca ao cão, mas sim ao ser humano. Concordo parcialmente, pois há seres humanos maldosos, mas há muita gente boa e bem educada no mundo.
A educação é significativa e só modifica e transforma a personalidade do Humano, cuja capacidade intelectual e cognitiva não possuem as restrições ou limitações que às de um cão. A educação de um humano é muito distinta da educação recebida por um cão, prezado comentador. Não se pode comparar as maneiras de se educar.
Geralmente um cão é educado para atender ao seu dono e nunca se sabe quando o cão poderá agir para atender aos seus próprios instintos. Portanto, tome cuidado, pois em algum momento o seu dócil e amável cão pit bull poderá atacar um visitante, um vizinho ou mesmo alguém de sua própria família, atendendo assim ao seu selvagem instinto que pode ser camuflado pela educação, mas jamais poderá ser totalmente dissipado.

Nat disse...

Me deixa muito triste ver uma pessoa tão jovem com tantos preconceitos enraizados e tão fechado ao diálogo.
Para sua imformação várias raças de cães foram criadas para propósitos nada politicamente corretos, como o fila, que era usado para caçar escravos fujones e o bulldog, usado em luta contra touros (dai o nome). Felizmente assim como se pode selecionar animais agressivos para reproduzir e acentuar essa caraterística, você pode optar pelo caminho inverso e usar apenas animais com temperamento equilibrado para criar novas gerações de animais sociáveis mas mantendo as qualidades fantásticas de cada raça, no caso do pit bull sua agilidade, inteligência, obediencia, disposição, etc.
Sobre seu comentário ao respeito das faculdades intelectuais dos cães só posso sorrir, é um argumento totalmente descabelado, com o mesmo criterio deveriamos exterminar pessoas "menos" inteligentes e outras espécies animais, aliás, as maiores atrocidades da história foram cometidas por pessoas extremamente inteligentes como grandes ditadores e fanáticos de todo tipo com capacidade de arrastar multidões.
Espero que você como ser humano com "capacidade infinita da aprendizado" tenha a capacidade de prestar atenção nas opiniões de pessoas que conhecem e convivem com esta raça e não se feche nos seus preconceitos. Mostre que REALMENTE tem capacidade infinita de aprender.
O convido para conhecer nossa comunidade:
www.fotolog.terra.com.br/adoteumpitbull

Um abç!

Nat

Folha Estudantil disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Folha Estudantil disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Folha Estudantil disse...

Nat,

Não conheço a origem do Bulldog e nem do Fila, mas se eles foram realmente utilizados a favor da violência penso que tais cães devem ter sua comercialização e criação restrita, pois podem vir a ser empregados como armas por pessoas despreparadas ou com más intenções.
Em seu comentário você mencionou as características do Pit Bull, "agilidade, inteligência, obediencia, disposição", mas se esqueceu de citar também força, agressividade, velocidade, violência e ferocidade! Talvez tenha se esquecido de citar essas características involuntariamente.
Nat, a capacidade intelectual de um cão não pode ser comparada a capacidade intelectual ou cognitiva do ser humano, nós somos os únicos seres vivos que possuímos a habilidade de construir cultura, por isso somos diferentes dos animais.
Você que fez um paralelo ou uma comparação entre os cães e "pessoas "menos" inteligentes". Você transpôs minhas colocações adstritas ao mundo animal, especificamente ao canino, para o mundo social. Reitero que jamais pensaria em eliminar "pessoas "menos" inteligentes".
“Pessoas “menos” inteligentes” não são necessariamente violentas e agressivas, pois possuem razão e conseguem discernir o certo do errado, diferente de um cão. A propósito a inteligência humana subdivide-se em outros tipos de inteligência, conforme a Teoria das Inteligências Múltiplas do educador norte-americano Howard Gardner. Segundo ele, de forma bem sucinta, um humano possui diferentes formas de inteligência, tais como a inteligência musical, cinestésico-corporal, naturalista, interpessoal etc. Essas inteligências podem ser aprendidas e desenvolvidas de acordo com as variações psicológicas de cada indivíduo humano. Sendo assim, não acredito em “Pessoas “menos” inteligentes”. Prefiro acreditar que há pessoas com inteligências e habilidades distintas, que podem variar de um ser humano para o outro.
O meu texto está publicado e as pessoas têm o direito de interpretá-lo como bem entendem.
Mas não fiz ou sugeri em momento algum uma comparação entre cão x humano, esse não é o meu ponto de vista e jamais será, pois sou educador e acredito no ser humano, não acredito em um cão, principalmente se sua raça for Pit Bull e etc.
Quanto aos grandes erros cometidos pela humanidade, não há como negá-los tendo em vista que a História demonstra diversos exemplos de irracionalidade e derramamento de sangue. Nestes momentos nós, seres humanos, nos igualamos aos animais e aos cães. Contudo, aprendemos com os nossos próprios erros e com a História, coisa que os cães não conseguem fazer.
Se no passado cometemos erros, temos a possibilidade de acertar no presente e no futuro. Será que um Pit Bull que atacou uma criança ontem, refletirá sobre o seu ataque e deixará de atacar uma criança amanhã?
Acho que não.
Gostaria de concluir registrando que não sou preconceituoso, tenho uma opinião formada sobre o assunto e aceito discuti-la e revê-la, prova disso é que aceitei imediatamente a publicação de seu comentário contrário à minha opinião, assim como os comentários de outros visitantes.
Porém, não nego para ninguém que sou contra a criação e comercialização de Pit Bulls e demais cães ferozes e tenho muitos motivos para manter minha opinião. Basta olhar o noticiário na TV ou na Internet para encontrar notícias relatando que Pit Bulls atacam pessoas e deixam vítimas com membros dilacerados ou mutilados. Portanto, estou sim aberto ao diálogo e a discussão, pensar o contrário disto é no mínimo cometer um equívoco.
Por fim, se não bastasse vivermos com medo da criminalidade no Brasil, ainda teremos que viver com medo de feras soltas pelas ruas? Pois é isso que tem acontecido em Minas Gerais, donos abandonando seus cães nas ruas, e estes vitimando pessoas. Além disso, algumas pessoas, despreparadas, têm a propriedade do animal e transitam com ele pelas ruas tranqüilamente, sem os devidos acessórios de segurança, pois acreditam que seu animal é manso e dócil, incapaz de atacar outra pessoa. Pura mentira.
São esses donos irresponsáveis que também são culpados pelos ataques, mutilações e até morte de muitas vítimas. No entanto, o cão não pode ser inocentado somente por ter um dono irresponsável. Deve-se perceber que o cão possui características que o tornam tão letal quanto uma arma, sendo assim constitui-se em um sério risco para a sociedade.

Eduardo disse...

bom a tempos não posto nada aqui mas como sei que esse tipo de discução
nunca acaba vamos colocar pesquisas de entidades idôneas que tem experiencia em no ramo cinófilo de acordo com a ATTS entidade responsável por avaliar temperamento de cães o APBT OU American Pit Bull Terrier tem uma pontuação normal muitas vezes até mais alta que cães considerados dóceis como, Pastor Alemão e Golden Retriever este ultimo considerado pela sociedade como estremamento dócil. Vou postar aqui o link do site oficial da lista com as pontuações http://atts.org/breed-statistics/statistics-page1/